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sábado, 21 de agosto de 2010







Amor


"Amor é pros guitarristas, católicos e fanáticos por xadrez."



Abstinência Literária


"Tinha épocas que o melhor era ficar longe da máquina. Um bom escritor sabe quanto deve parar de escrever. Qualquer um é capaz de datilografar . E eu nem era um bom datilógrafo; era mau também em ortografia e gramática. Mas sabia quando deixar de escrever. Era que nem trepar. Você tinha de dar um tempo pra divindade de vez em quando."




As últimas serão as primeiras...

"Não sei por quê, mas cada nova mulher sempre parece a primeira, como se eu nunca tivesse estado com nenhuma mulher antes, ou quase."


Tempos Modernos


"Eu tinha um metro e oitenta e dois centímetros e oitenta e cinco milímetros, e mesmo assim não conseguia me esticar na banheira. Nos velhos tempos, eles faziam banheiras pra imperadores e não pra bancário de um metro e meio."


Dor de cotovelo


"Naquela noite, comecei a beber. Não ia ser nada fácil sem Katherine. Achei uns troços que ela tinha esquecido - brincos, pulseiras. Tinha que voltar a máquina de escrever, pensei. Arte exige disciplina. Qualquer cretino pode paquerar uma mulher. Bebia, pensando nisso."


Críticos Literários

"Levantei fui pegar outro drinque. Um rapaz de quase dois metros chegou em mim.
-"Olhe aqui, Chinaski, eu não acredito nessa cascata toda de você morar na boca e conhecer todos aqueles traficantes , cafetões, putas, viciados, turfistas, lutadores e bêbados...
- Em parte é verdade.
- Cascata - disse ele, e se afastou.
Outro crítico literário..."

domingo, 15 de agosto de 2010



Mulheres...


"Eu era sensível a muitas coisas: um sapato de mulher debaixo da cama; o jeito delas dizerem "vou fazer xixi"; prendedores de cabelo; andar com elas pelos bulevares à 1:30 da tarde, só os dois, juntinhos; as longas noites bebendo, fumando, conversando; as brigas; pensar em suicídio; comer juntos e se sentir bem; as brincadeiras, as gargalhadas sem motivo; sentir milagres no ar; estar junto de manhã; ser avisado de que você ronca; ouvi-la roncando; mães, filhas, filhos, gatos, cachorros; ás vezes morte; às vezes divórcio, mas sempre tocando pra frente, sempre chegando ao ponto final; ler um jornal sozinho numa lanchonete, nauseado pelo fato de ela ter se casado com um dentista de QI 95; pistas de corridas, parques, piqueniques nos parques; até prisões; os amigos chatos dela, os seus amigos chatos; seus porres, a dança dela; seus flertes, os flertes dela; as pílulas dela, as suas trepadas fora do penico, ela fazendo o mesmo; dormir juntos."

Profissões


"Advogados e médicos são os indivíduos mais mimados e mais bem pagos da nossa sociedade. O próximo da lista é o mecânico da esquina. Depois, você pode botar o dentista."



Bukowski, "o consumista"

"Nunca fui elegante. Minhas camisas eram todas desbotadas, encolhidas, surradas, e já tinham cinco ou seis anos. Minhas calças, a mesma coisa. Detestava as grandes lojas, detestava os vendedores, eles se faziam de superiores, pareciam conhecer o sentido da vida, tinham uma segurança que me faltava. Meus sapatos eram sempre velhos e estropiados, e eu detestava lojas de sapatos também. Nunca comprava nada de novo, a menos que as minhas coisas já estivessem completamente inutilizadas - automóveis inclusive. Não era questão de economia; é que eu não era tolerava ser um comprador na dependência dos vendedores, aqueles caras tão altivos e superiores. Além disso, eu perdia tempo, um tempo em que eu podia muito bem estar de papo pro ar, bebendo."

segunda-feira, 2 de agosto de 2010



Excesso de Bagagem


"Tomei um trago de saquê, frio. As orelhas saltaram e eu me senti um pouco melhor. Sentia o cérebro começando a pegar. Ainda não morrera, só estava em estado de rápida decomposição. Quem não estava? Estávamos todos na mesma canoa furada, tentando nos alegrar. Como, por exemplo, no Natal. É, tira essa merda toda daqui. O homem que inventou isso nunca teve que carregar excesso de bagagem. O resto de nós tem de jogar fora todo o seu lixo só para saber onde está. Bem, não onde estamos, mas onde não estamos. Quanto mais porcaria a gente joga fora, mais encontra para jogar. Tudo funcionava ao contrário. Ande para trás que o nirvana salta no colo. Claro. "


Eu queria ser...

"Por que eu não podia simplesmente ser um cara assistindo a um jogo de beisebol? Interessado no resultado. Por que não podia ser um cozinheiro fritando ovos, desligado? Por que não podia ser uma mosca no pulso de alguém, rastejando sublime e interessada? Por que não podia ser um galo num galinheiro, catando milho? Por que aquilo? "

domingo, 1 de agosto de 2010


Delírium Tremens


"Acordei deprimido. Fiquei olhando para o teto, as rachaduras do teto. Vi um búfalo saltando alguma coisa. Acho que era eu. Aí vi uma serpente com um rato na boca. O sol aparecia nas frestas da persiana e formava uma suástica em minha barriga. A bunda coçava. Estariam voltando as hemorróidas? O pescoço duro, a boca com gosto de leite talhado."


Carpe Diem!

"Levantei-me e fui ao banheiro. Me dava raiva olhar o espelho, mas olhei assim mesmo. Vi depressão e derrota. Bolsas escuras caídas sob os olhos. Olhinhos covardes, os olhos do rato acuado pelo puto do gato. A pele parecia que nem tentava. Que odiava fazer parte de mim. As sobrancelhas caíam retorcidas, pareciam dementes, dementes pêlos de sobrancelhas. Horrível. Uma aparência repugnante. E eu não estava nem querendo evacuar. Todo entupido. Uma vez conheci um cara que ficou dias sem defecar. Acabou explodindo. De verdade. A merda saiu voando da barriga. Fui á privada mijar. Fiz pontaria corretamente, mas saiu de lado e molhou o chão. Tentei mudar a pontaria, mas acabei molhando a tampa da privada, que esquecera de levantar. Puxei um pouco de papel higiênico e passei no lugar. Limpei a tampa. Joguei o papel dentro e dei descarga. Fui até a janela e vi um gato cagando no telhado ao lado. Aí voltei ao banheiro, peguei a escova de dentes, apertei a bisnaga. Saiu demais. Oscilou sobre a escova e caiu na pia. Era verde. Parecia uma lombriga verde. Meti o dedo nela, pus na escova e comecei a escovar. Dentes. Que coisa da porra. Tínhamos de comer. E comer e comer de novo. Éramos todos repugnantes, condenados aos nossos trabalhinhos sujos. Comer e peidar e se coçar e sorrir e festejar nos feriados."