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sábado, 29 de agosto de 2009





Bar Fly

O problema é que o Sunset, em meu bairro, não tem muitos bares. Continuei caminhando. Finalmente encontrei um, última categoria. Não tinha vontade de me sentar num tamborete. Sentei-me num reservado. A garçonete chegou. Usava minissaia, sapato alto, blusa transparente com ombreiras. A cara dura como aço. Quando sorriu, doeu. Nela e em mim. Ela continuou sorrindo. Era um sorriso tão falso que me arrepiou os pêlos do braço. Desviei o olhar.
- Ei, amorzinho - ela disse - que vai querer? Não olhei para a cara dela. Olhei para a cintura. Estava á mostra. Tinha uma rosa de papel, vermelha, colada no umbigo. Falei com a rosa:
- Vodca com tônica e limão.
- Certo, amorzinho! Ela se afastou com passinhos curtos, tentando rolar a bunda de forma atraente. Não conseguiu. Comecei logo a ficar deprimido. Não fique, não fique, disse a mim mesmo. Não funcionou. Todo mundo estava fodido. Não havia vencedores. Só vencedores aparentes. Todos nós corríamos atrás de nada. Dia após dia. Sobreviver parecia ser a única necessidade. Não parecia bastante. Não com Dona Morte esperando. Eu ficava puto quando pensava no assunto.

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