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sábado, 23 de janeiro de 2010



Bukowski por
Bukowski


"Bukowski chorou quando Judy Garland cantou na Filarmônica de N.Y.,
Bukowski chorou quando Shirley Temple cantou " I got animal crackers in my soup",
Bukowski chorou em hotéis que eram verdadeiras espeluncas,
Bukowski não sabe se vestir, não sabe falar, tem medo de mulher, sofre do estômago, vive assustado, não gosta de dicionários, freiras, moedas, ônibus, igrejas, bancos de praças, aranhas, moscas, pulgas, tarados,
Bukowski não foi pra guerra.
Bukowski já está velho, não solta pandorga há 45 anos;
se fosse macaco, seria expulso do convívio da espécie...

Bukowski considera Mickey Mouse nazista;
Bukowski fez um papelão na Barneys Beanery;
Bukowski se cobriu de ridículo na Shellys Manne-Hole;
Bukowski tem inveja de Ginsberg, do Cadillac 1969 e não entende Rimbaud;
Bukowski limpa a bunda com papel higiênico áspero e pardo, vai morrer daqui a 5 anos, não escreve um poema que preste desde 1963, chorou quando Judy Garland ...
Bukowski, o autor do momento; uma estátua de Bukowski no Kremlin, batendo punheta;
Bukowski e Castro, um monumento em Havana, banhado de sol e coberto de merda de passarinho;
Bukowski e Castro ganhando juntos uma corrida de bicicletas - Bukowski no selim traseiro;
Bukowski tomando banho num ninho de papa-figos;
Bukowski dando lambadas numa mulata de 19 anos com um chicote de domar tigres, uma mulata de 95 cm de busto e leitora de Rimbaud;
Bukowski, ficando fã de Judy Garland quando ela estava gorda e bebia que era uma desgraça e quando não adiantava mais ninguém se interessar.
Bukowski usa camisinha parda.
Bukowski tem medo de avião.
Bukowski não acredita em Papai Noel.
Bukowski faz figuras disformes com as borrachas da máquina de escrever.
Quando começa a chover, Bukowski chora.
Quando Bukowski chora, é aquela chuva de lágrimas.
Ah, reduto dos mananciais,
Ah, escrotos, Ah, escrotos que jorram,
Ah, a grande hediondez humana por toda parte, como aquele cagalhão fresco de cachorro que o sapato não viu hoje de manhã outra vez;
Ah, a polícia onipotente,
Ah, as armas poderosíssimas,
Ah, os ditadores tirânicos,
Ah, os grandes burros de merda por toda parte,
Ah, os polvos solitários, solitários,
Ah, o tique-taque do relógio exaurindo o hasto vital de cada um de nós, sensatos e desequilibrados, santos e constipados,
Ah, os pés-rapados caídos pelos becos de miséria de um mundo dourado,
Ah, as crianças que ficarão medonhas,
Ah, os medonhos que ficarão ainda piores,
Ah, a tristeza e os sabres e o fechamento de paredes - sem Papai Noel, sem Xota, sem Varinha de Condão, sem Gata Borralheira, sem os grandes Espíritos Eternos;
Que loucura! - só merda e cães e crianças que apanham, só merda e a limpeza da merda; só médicos sem pacientes, nuvens sem chuva, dias sem dias,
Ah, Deus todo-poderoso que jogou tudo isso em cima de nós.
Quando chegarmos nos teu magnificiente palácio hebraico, na presença dos anjos acostumados a bater ponto, quero escutar Tua voz dizendo apenas uma vez:
MISERICÓRDIA
MISERICÓRDIA
MISERICÓRDIA
POR TI MESMO
e por nós,
e pelo que fizemos por TI."

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