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segunda-feira, 8 de março de 2010






Fame, fame, fatal fame...


" - Lydia, pelo amor de Deus, por que é que você tem de ser tão estúpida? Você não consegue entender que eu sou um bicho do mato? Tenho que ser desse jeito pra escrever.
- Como é que você vai entender as pessoas se você não encontra com elas?
- Já sei tudo sobre elas.
- Até nos restaurantes você fica de cabeça baixa pra não olhar ninguém.
- Pra quê? Pra sentir vontade de vomitar?
- Eu observo as pessoas - disse ela.
- Eu estudo as pessoas.
- Grande merda! - Você tem medo é de gente!
- Detesto gente
- Como é que você pode ser um escritor? Você não observa as pessoas!
- OK. Eu não olho pras pessoas, mas pago o aluguel com a minha escrita. É melhor que cuidar de ovelhas.
- Você nunca vai emplacar. Nunca vai se realizar. Você faz tudo errado.
- E é em cima disso que a minha escrita se realiza.
- Se realiza? Quem é que te conhece? Você por acaso tem a fama de um Mailer? De um Capote?
- Esses aí não sabem escrever.
- Só você sabe! Só Chinaski sabe escrever!
- É o que eu acho.
- Cadê a sua fama? Em Nova Iorque alguém ia te reconhecer?
- Escuta aqui tô cansado pra isso. Só quero continuar a escrever. Não preciso de badalos.
- Você aceitaria de bom grado toda a badalação que te oferecessem.
- Talvez.
- Você gosta de fingir que é famoso.
- Sempre fui desse jeito, mesmo antes de começar a escrever.
- Você é o famoso mais desconhecido que eu já vi.
- É que eu não sou ambicioso..."

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